Sunday, November 20, 2011

Como se fosse um pretexto

Escrevo-te à mão esse texto
como se fosse um pretexto,
procurando um contexto
para encaixá-la, enfim.

Escrevo-te à mão essa noite,
pra me livrar do açoite
que é a tua diária partida,
minha pior despedida.

Escrevo-te p'ra sentir
a tua presença por aqui,
e tua ausência a esvair
pelo firmamento que for.

Escrevo-te pelo amor
que solitário eu guardo,
pois é melhor escondê-lo
que transformá-lo num fardo.

Escrevo-te sem pensar,
rabiscando até a camisa,
imaginando você e o mar,
imaginando seu cheiro e a brisa.

Escrevo-te bem profundo,
pois quando te vejo no mundo
sei que não é suficiente;
só somos corpo presente.

Escrevo-te por inteira,
sorriso, olhar, cabeleira,
e tua delicada maneira
de para mim se mostrar.

Escrevo-te para dar
a minha única oferenda.
Que destas palavras ascenda
o que quis proporcionar.

Escrevo-te, finalmente,
para acariciar o teu sono,
com amorosas palavras
que tantas vezes retomo.

Só não te escrevo, porém,
para idealizá-la também.
Não te quero em sonhos distantes,
mas sempre comigo, meu bem.